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Notícia: Lançado projeto de Economia da Cultura e Turismo

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25-09-09, 18:45

Lançado projeto de Economia da Cultura e Turismo

Na tarde de ontem, 25, foi encerrado o I Seminário de Economia da Cultura, evento que discutiu e propôs, entre outros pontos, as diretrizes sobre a potencialidade cultural e história do Estado de Sergipe. O encontro foi uma realização da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Secretaria da Desenvolvimento Econômico, da Ciência e da Tecnologia (SEDETEC) e Prefeitura de Laranjeiras, em parceria com o SEBRAE-SE, Prefeitura de São Cristóvão e Universidade Federal de Sergipe (UFS). A programação foi marcada pelo lançamento do Projeto de Economia da Cultura e Turismo de Sergipe, além da definição de grupos de trabalho (GT’s) que serão desenvolvidos nas cidades pólo, São Cristóvão e Laranjeiras.

“O Seminário de Economia da Cultura é apenas o primeiro passo de um novo momento da cultura sergipana”. Essa declaração de Eloísa Galdino, secretária de Estado da Cultura, é essencial no sentido de definir a realização do seminário e sua importância para o Estado, propondo observar a cultura por um novo ângulo: de desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda, através de uma proposta de trabalho piloto para um Arranjo Produtivo Local (APL). “Cultura tem relevância na simbologia, nos bens materiais e imateriais, mas também tem importância econômica, servindo como um vetor de desenvolvimento para o Estado", completou. 

Para a secretária, o seminário é uma experiência que não vai passar despercebida pelos agentes e atores culturais sergipanos. “Nós, enquanto gestão, estamos nos inserindo neste processo de adaptação e construção da cultura enquanto política pública, e esta reestruturação está sendo feita de maneira muito profissional e capacitada, como em um seminário como este, para o qual trouxemos bons parceiros como o BNDES, o IBGE, a SUDENE, que com certeza irão colaborar muito para o desenvolvimento da Economia da Cultura em Sergipe. Para tanto, todas as transformações pelas quais a política cultura do estado vai passar, serão feitas de forma integrada e inovadora, construindo um projeto de trabalho em parceria com agentes e atores culturais. Só assim, teremos êxito no projeto piloto a ser aplicado nos municípios de Laranjeiras e São Cristóvão e reaplicar nas demais cidades do estado, afinal, nosso foco é interiorizar todas essas ações em Sergipe”, declarou Eloísa Galdino.

Metodologia

Após palestras e explicações sobre o que foi proposto e buscado através do seminário, deu-se início a apresentação detalhada do projeto e a explicações sobre a metodologia desenvolvida para integrar os atores culturais sergipanos.

Sudanes Barbosa, diretora técnica da SEDETEC, afirma que o projeto visa construir um novo modelo de cultura para Sergipe. “Nós esperamos no final deste projeto, ter uma nova proposta de cultura e turismo atrelada a este desenvolvimento econômico local. Isto será possível através da cooperação entre entidades federais, estaduais e municipais”.

Para Marcelo Rangel, secretário adjunto de Cultura, que na sexta-feira abriu os trabalhos fazendo uma retrospectiva do seminário realizado ontem, em Aracaju, e organizou o debate da tarde, defende que o projeto é válido por levar informações inéditas a Sergipe, principalmente sobre esta nova forma de ver cultura, onde as pessoas passam a entender o processo cultural e o seu reflexo na sociedade. “As pessoas não vão apoiar uma política cultural só porque ‘é bonito’. Com esse projeto, as pessoas vão entender como esta política funciona, quais setores ela movimenta e de que modo podem agregá-la a outros setores da sociedade e da economia para fortalecer o projeto cultural”, afirma.

Rangel acredita que o Seminário trouxe para Sergipe visões e ações pioneiras e com foco na Cultura como elemento estratégico de desenvolvimento.  “As cadeias produtivas da Cultura agem em sinergia com outras cadeias agregadas ou satélites. Projeções indicam que a Economia da Cultura mundial crescerá significativamente até 2010. Através deste seminário, a SECULT e a SEDETEC visam estruturar uma proposta de trabalho voltada ao desenvolvimento da Economia da Cultura nas duas cidades patrimônio de Sergipe, Laranjeiras e São Cristóvão. Não poderíamos ficar distantes do que acontece de mais inovador no mundo”, declara.

Cidades Históricas

Consideradas berço da cultura e das mais antigas tradições folclóricas do estado, as cidades de São Cristóvão e Laranjeiras foram escolhidas como cidades-pólo para dar início ao projeto de Economia da Cultura e Turismo de Sergipe. 

São Cristóvão, fundada em 01 de janeiro de 1590, foi a primeira capital de Sergipe e é a quarta cidade mais antiga do Brasil. O chão de pedra, a arquitetura colonial, as igrejas e museus são exemplos do seu patrimônio histórico, artístico e cultural. “Este projeto piloto que está sendo desenvolvido na cidade de São Cristóvão vai nortear ações para todo o estado, e o grande diferencial é a participação da comunidade e dos grupos nos debates que serão traçados”, destacou Tiago Fragata, historiador e diretor do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão.

O historiador analisa ainda, que o estado estava necessitado de um projeto cultural que revertesse em ganho, o trabalho dos artistas sergipanos. “O desafio é fazer com que os grupos folclóricos que já dançam e se expressam por amor e tradição, continuem a se perpetuar, e que eles não percam sua essência, sua mensagem, e acima de tudo, que consigam renda e estabilidade com sua arte”.

Laranjeiras, o "Berço da Cultura Negra de Sergipe", é um museu a céu aberto que retrata histórias do período da escravidão. A cidade formou a sua economia na cana-de-açúcar e no comércio de escravos, que deixou traços marcantes na cultura, que estão preservados no Museu Afro-Brasileiro, e na religiosidade.

Para o músico e secretário de Cultura de Laranjeiras, Irineu Fontes, o projeto é um marco importante na cultura de Sergipe, por ensinar as pessoas como promover renda através da sua arte e da sua cultura. “Este é um trabalho que será realizado a médio e longo prazo e que será feito no sentido destes grupos entenderem que eles têm potencial não só na manifestação cultural.Através de sua arte eles tem condições de ter uma renda melhor, seja com o fazer da suas roupas, com seus instrumentos ou sua música. É muito importante ainda que eles se unam em uma associação ou cooperativa para que sejam alcançados os objetivos no mais breve tempo possível”, frisou.

Apresentação Cultural

O Grupo São Gonçalo Mirim foi convidado para encerrar o evento e foi extremamente aplaudido pelos presentes. “Tenho 68 anos e sou um representante assíduo da cultura desse povo. Participo desde muito jovem do grupo de São Gonçalo, então fundei o grupo da juventude e agora o mirim, para que nossa tradição nunca se acabe e continue passando de geração em geração”, comemorou José Sales, diretor do grupo.

“Sempre estamos nos apresentando, já brincamos em várias partes deste Brasil, e quando nos convidam para estas apresentações é sempre uma enorme satisfação do grupo”, concluiu o diretor.

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